Prefeitura estuda novas estratégias de prevenção à febre maculosa

SAÚDE PÚBLICA



A prevenção à febre maculosa e ao carrapato estrela foi o tema de uma reunião na segunda-feira (27) na sede da Prefeitura de Limeira. Participaram do encontro, os secretários Vitor Santos (Saúde), Paulo Trigo (Meio Ambiente e Agricultura) e Daniel de Campos (Assuntos Jurídicos), além de diretores de diversas pastas. Na ocasião, foram discutidas novas ações para controle da doença, dentre elas, a possibilidade de reforço do cercamento no Parque Ecológico do Jardim do Lago, onde há presença de capivaras, animais que podem ser hospedeiros do carrapato estrela - principal vetor da doença.

Segundo Vitor Santos, outra questão estudada é o cercamento da área verde no Parque Residencial Abílio Pedro, local provável de contaminação dos casos mais recentes de Febre Maculosa no município. O diretor de Serviços Públicos, José Gabriel Borges Soares, relatou que a pasta instalou ontem placas informativas nessa área, a fim de alertar os munícipes sobre a presença do carrapato estrela. O diretor também destacou que a Secretaria vem realizando o corte permanente do mato em todas as áreas de risco da cidade.

A criação de “barreiras físicas”, aliadas à instalação dessas placas, foi avaliada positivamente por Trigo, considerando-se que o contato com o carrapato está associado à circulação de munícipes pelas áreas de risco. Trigo também comentou sobre a necessidade de a população respeitar essas demarcações, além de colaborar com a manutenção das cercas já existentes na cidade - alvo frequente de vandalismo.

Ainda no Abílio Pedro, houve discussão sobre a pulverização do entorno da área verde. O biólogo e diretor de Licenciamento, Fiscalização e Áreas Verdes, Rogério Mesquita, ponderou que a medida é preventiva e poderá auxiliar na redução e controle da incidência de carrapatos. A prefeitura já realizou a pulverização na Lagoa do Bortolan e no Parque Ecológico do Jd. do Lago. No dia 3 de setembro, será a vez do Horto Florestal receber a ação. A desinsetização, conforme Mesquita, tem efeito sobre todo o ciclo de vida do carrapato – da pupa à fase adulta.

Também presente à reunião, o veterinário Hilton Lang destacou que as capivaras são animais silvestres, protegidos pela atual legislação. Esse fato, somado à ausência de predadores naturais, tem levado a um amento da população de capivaras no interior de São Paulo. Segundo ele, não há uma única ação capaz de controlar o animal, portanto, o mais correto seria a execução de um conjunto de medidas – a exemplo do que a prefeitura vem desenvolvendo.

O veterinário salientou que Limeira possui vários cursos d’água, que funcionam como “corredores” de deslocamento das capivaras. Partindo dessa situação, ele advertiu que a remoção de capivaras de determinados locais – como solicitado pela Associação de Moradores do Jd. Aeroporto, por meio de Ação Civil Pública – não impediria que o Parque Ecológico do Jd. do Lago fosse novamente ocupado por outros exemplares da espécie.

Além da ineficácia da medida, Hilton enfatizou que o município não dispõe de autorização do Governo Estadual/Sucen para realizar o manejo das capivaras. O pedido para manejo e realização de sorologia foi feito, no entanto, aguarda parecer favorável – situação que está sendo acompanhada por Campos para possível desdobramento judicial.

Ainda sobre essa questão, o diretor de Vigilância em Saúde, Alexandre Ferrari, frisou que não há casos notificados de infecção por febre maculosa dentre os frequentadores do Parque Jd. do Lago. Hoje, ele confirmou um óbito suspeito de febre maculosa, de um menino de 4 anos que morreu em 30 de junho. Além desse caso, ele informou a ocorrência de outro óbito, de uma mulher de 47 anos, que faleceu em 28 de julho. Houve, ainda, mais um registro da doença, de uma mulher de 71 anos que teve alta médica e passa bem. Com esses novos casos, o município apresenta cinco registros, dois pacientes que tiveram alta e três óbitos. Há, ainda, 14 casos suspeitos que aguardam resultado de exame laboratorial.

“Nesses três casos, o local provável de infecção da febre maculosa foi a área verde do Abílio Pedro. O que chama a atenção é a ausência de indícios de capivaras na região, no entanto, elas podem usar o curso do rio para se deslocarem”, disse. Por esse motivo, ele afirmou que irá solicitar à Sucen a realização de sorologia nos cavalos que frequentam a área. “A Sucen já fez uma pesquisa acarológica no Abílio Pedro para identificar qual é a espécie de carrapato que habita o local. Estamos aguardando o resultado”, frisou.

A chefe da Divisão de Zoonoses, Pedrina Aparecida Rodrigues Costa, informou aos presentes que a prefeitura prosseguirá com a campanha educativa para alertar a população sobre a prevenção à febre maculosa, além das capacitações voltadas aos profissionais das redes pública e privada de saúde.

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