Candidatos com nomes de heróis criticam política e prometem combater corrupção

Vestindo máscaras, capas e armaduras, eles prometem usar seus poderes para salvar o país. Em troca, pedem o seu voto.
As urnas eletrônicas nas eleições deste ano trarão o nome de super-heróis como Homem-Aranha, Homem de Ferro, Wolverine, Batman, Robin, Capitão América e até Chapolin, em busca de uma vaga para o Legislativo.
Eles têm um discurso contra o crime e a corrupção, embora não deem respostas claras sobre como resolverão estes problemas. Também não dão importância a divisões ideológicas como esquerda e direita, mas a conceitos como bem e mal.
"A população precisa de heróis pra mudar a política brasileira", diz Aderilson Santos da Silva, 45, cujo nome de urna na disputa para deputado estadual será Homem-Aranha do Amapá (PODE). Na foto do cadastro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ele aparece sorridente com a roupa vermelha do herói da Marvel.
Aderilson trabalha como divulgador de festas, meio em que ficou conhecido pelo apelido. "Eu tinha ido no motel e tinha um quarto com o nome de Homem-Aranha. Depois disso, o dono da balada começou a me chamar assim".
Ele diz que resolveu entrar na política devido aos escândalos políticos no Amapá. "Uma das minhas prioridades é derrotar a corrupção", diz ele, que promete programas voltados ao público jovem baladeiro.
Dono de uma academia de ginástica, Edvan Ferreira de Sá (PPL), 47, também aposta ser eleito deputado no Distrito Federal devido ao apelo junto aos jovens. Morador em Planaltina, há quase duas décadas é conhecido como Wolverine, pelas costeletas e o cabelo ao estilo do X-Men com ossos de adamantium.
Antes mesmo de ser eleito, o Wolverine do Centro-Oeste já assumiu ares de político. Ao receber o telefonema da reportagem, disse: "Fale com meu assessor aqui". Em entrevista marcada dali a 15 minutos pelo tal assessor, disse que entrou na política para ajudar a comunidade carente onde vive. "Aqui onde a gente mora precisa de policiamento, educação. É aonde que eu tô entrando para dar um reajuste em tudo".
Ele diz desenvolver atividades de esporte e lazer para as crianças. Delas, diz ter já ter ganhando os votos -agora só faltam os pais, a quem dirige um discurso antissistema.
"Venho representar aqueles que até agora não tiveram voz, dos que se desiludiram com a política, dos que acreditam que a política não se esgota nos políticos", escreveu em sua rede social. Uma única pessoa comentou o post, com símbolos de palmas e as palavras "bora, bora".
Concorrendo pela primeira vez a deputado estadual pelo PSD-MG, Márcio Martins Nardin, 45, diz não gostar de política e critica os oportunistas fantasiados.
"Não adianta você se vestir de super-herói e falar que vai combater a corrupção, que você vai ganhar voto", diz ele, também conhecido como"Homem de Ferro. No caso dele, ressalta, é diferente, devido a sua história de trabalho social usando o personagem. "Não caí de paraquedas [usando roupa de herói]".
De paraquedas, não, mas de moto, sim. Ele virou celebridade na internet após um vídeo em que tomba com o veículo customizado, quase parado.
A cena mostra Nardin todo paramentado, com a armadura vermelha e dourada do Homem de Ferro. Mas, mesmo sem fantasia, ele é a cara do herói. Na foto do cadastro do TSE, ele lembra muito Tony Stark, identidade do herói interpretado por Robert John Downey Jr no cinema.
"Eu como político não vou seguir a linha de ninguém. A minha linha é fazer o bem, levar alegria e esperança para nossas crianças", diz. "Se está todo mundo voltado a fazer o bem para o Brasil, para que esse negócio de briga entre direita e esquerda?"
O candidato à Presidência do Homem de Ferro, porém, é para lá de destro no quesito político, o militar Jair Bolsonaro (PSL). Com seu discurso linha dura, o capitão reformado do Exército, aliás, é popular entre os adeptos da máscara e capa. Em evento neste mês, havia vários deles, incluindo Luiz Carlos de Paula (PSL), 43, o Capitão América, que tentará vaga de candidato a deputado estadual.
Ainda na linha do discurso de lei e ordem, há um candidato Robocop e dois Batmans.
Diogo Rais, professor de direito eleitoral do Mackenzie e da FGV, diz que não há empecilho na lei eleitoral a respeito de nome de heróis. "A regra é que o nome não seja ofensivo, não seja atrelado a órgãos públicos e não induza o eleitor a achar que se trata de outra pessoa".

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